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Apagões e indagações

No post Gente da cidade eu comentei que gente da cidade, no mato, é uma tragédia: só se estrepa, por desconhecer o ambiente e não tomar as precauções devidas (por se achar muito esperto, só porque mora na cidade, claro...). Os apagões mostraram uma realidade da vida moderna que é assustadora: dependemos, em quase tudo, da eletricidade. O país pára. Não se produz, não se estuda (sem acesso ao Google, sem TV a cabo pra pegar o Discovery Channel),... O que vemos é que as coisas se apóiam e giram em torno de um sistema sujeito a falhas... como se ele jamais fosse falhar!

No dia em que escrevi o post Totalmente "offline", estava longe de acontecer o super apagão de novembro de 2009; este sim, permitiu uma reflexão mais séria a respeito desta nossa dependência. Pude ver por horas a cidade em total escuridão natural, como os fundadores e primeiros habitantes daqui viveram. Somente reflexos dos faróis de carros e sugestões de iluminação das escadas de emergência dos prédios. Ainda por cima não havia luar, nem estrelas aparentes, devido ao tempo nublado. Bem ao longe, os faróis dos veículos na rodovia. Silêncio estranho, sem TVs nem rádios ligados.

Pensei nos lugares que sofrem bombardeios, como na Segunda Guerra Mundial e como ainda acontece hoje. E hoje podemos acrescentar: nos lugares que sofrem com enchentes...

Estamos tão acostumados a facilidades, que nem supomos ficar sem elas!
Mas... e se acontecer?

Totalmente "offline"

Hoje ficamos sem energia elétrica em boa parte do centro da cidade. Semáforos, bancos, supermercados,... e o elevador do prédio. Não foi a melhor hora para descobrirmos que a escada de emergência não tem luz de emergência! Imaginei a gente fugindo de um incêndio: seria de admirar conseguir sair ileso da proeza de se descer uma escada no maior breu que já (não) vi! Já tenho um item para a próxima reunião de condomínio. E meu chefe ficou preso na fila do supermercado - como pagar sem as maquininhas ligadas?

Aí vem aquele pensamento do tipo Day after, quando - nova descoberta - nem o interfone funcionava sem energia elétrica: não estamos preparados para um mundo sem eletricidade! Temos só um aparelho telefônico (fora o celular) que funciona como antigamente, só conectado na linha; os outros... um tem fax, outro é sem fio - e precisam de eletricidade. Ficamos à base de celular e telefone "antigo" para nos comunicar com o mundo. Radinho de pilha, só um walkman que não tem autofalante, apenas fone de ouvido. E nada das emissoras falarem pelo menos o que tinha acontecido para ficarmos sem "força" bem no miolo mais carregado de trânsito, bancos e lojas.

Que coisa!...